sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Álef

Em meu conforto tedioso
a noite olhou para mim.
Não havia muito a ser visto
tristeza
fadiga
aridez.

A surpresa de uma beleza universal
um ponto infinito
encheu o meu olhar perdido
me trouxe a tona o religioso.

Eu via a perfeita combinação de cores
vi cores que não existiam.
vi memórias, sonhos e temores
vi o suficiente para saber que todas as imagens do mundo
perfuravam minha íris.

Eu vi a criança mais linda e a mais feia
vi coisas que vocês não imaginariam
a violência e ódio humano na ponta de uma bengala
o homem consumido pelas trevas
o sangue avermelhar heróis em amarelo
vi azulados a perdição e o amor.

A mais curva sensibilidade
e  mais aprumada virilidade
a grande beleza
vivacidade in natura
Eu vi cada grão de areia
cada gota do mar
cada sopro do vento
cada pedaço de universo.

Eu vivi e morri
vi deuses e super-homens
sentimentos ainda por serem criados
vi amores indescritíveis 
vi Borges confortado pelas barras de madeira de um porão

vi a tristeza
a fadiga
e a aridez
no meu rosto regado de lágrimas 
e eu soube, enfim.
Soube que vivia entre os espelhos do homem
no divino e no profano
vi na fresta da minha alma 
demasiado humano
Álef.



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