Como sugere o titulo americano do filme, a morte de Charlie se afirma inevitável logo no início, em uma cena de "flashes" que resume bem a estética do filme. Ao som de um piano leve e calmo, que é interrompido por um disparo, o protagonista balança sobre um abismo. Com a vida dependente de uma corda que, por sua vez, depende de mãos desconhecidas pela câmera, Charlie espera a sua morte eminente. Em flashes, a apresentação do filme alterna seu espaço de tela com a mão que segura a corda, com o corpo que por ela é segurado, com a água no fim do abismo que espera para engolir o corpo pendurado e, por fim, pelo mergulho aparentemente necessário de Charlie Countryman. Tudo acontece em uma linda fotografia minuciosamente planejada que valoriza luzes artificiais e cores controladas acompanhada de músicas, tão primorosamente escolhidas quanto, exatamente como se constrói esteticamente todo o resto do filme.O filme conta a história de Charlie Countryman, um turista despretensioso (Shia Labeuf) em Bucareste na Romênia, que se apaixona por Gabi Ibanescu, uma linda violoncelista (Evan Rachel Wood) e por essa paixão expressa ele se compromete a desafiar Nigel (Mads Mikkelsen), um gangster violento e ex-namorado de Gabi. Mas, além disso, o inusitado filme de Fredrik Bond também conta a historia de Charlie Countryman, um jovem que, sofrendo com recente rompimento de um namoro, tem que suportar a eutanásia de sua mãe em coma. Nesse ponto da criação, o roteirista deve ter parado e pensado "E agora? Como eu vou fazer para ligar essas histórias?" e a resposta veio para ferir o filme. Charlie é um médium que, ao conversar com a mãe morta, decide viajar, sem planejamento algum, para Bucareste. A caminho da Romênia ele conhece o pai de Gabi que morre no voo e lhe incumbe indiretamente de conhecer a sua filha, permitindo assim que a história siga o seu rumo e praticamente ignore a dádiva do protagonista.
Conquistas Perigosas é um filme compacto e simples que, sem se aprofundar em seus personagens, nem explorar backgrounds, conta uma história de amor simples e crível, combinando uma paixão intensa - não pela situação caótica na qual se criou, mas pela beleza e leveza transmitidas entre o jovem casal - uma comédia fácil, mas divertida (com o surpreendente carisma do ex-Rony Weasley de Harry Potter) e frenéticas sequências de ação, tudo muito bem acompanhado das músicas mais adequadas. Nos quesitos complexidade e humanidade, o diretor nos oferece um lindo sonho semi-trágico que entende o espectador e não requisita o estudo da obra. Já no quesito fantasia, é oferecida a beleza deslumbrante de uma cidade decadente, luzes inexistentes, músicas que completam a experiência e as lógicas criadas por seus personagens, nas quais, infelizmente, a mágica literal ou a fé espírita não são aceitas. Conquistas Perigosas nunca veio a ser um sonho, na verdade, não passou de um delírio de um roteirista desvirtuado.
NOTA: א א א א א א